Esporte paraolímpico: uma área emergente de pesquisa e consultoria em biomecânica do esporte

A importância do esporte paraolímpico vem ficando cada vez mais evidente, e nosso país não fica atrás. É marcante o crescimento do investimento no desenvolvimento do esporte adaptado. Reflexo disso foi a atuação do Brasil nos últimos Jogos Parapan-americanos em Gadalajara, onde o país conquistou a primeira colocação, conseguindo medalhas em 12 das 13 modalidades. No total foram 81 medalhas de ouro, 61 de prata e 55 de bronze, e segundo o presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), Andrew Parsons, O Movimento Paraolímpico Brasileiro está ainda mais forte do que nos anos anteriores. Além das medalhas, o Brasil ampliou o número de vagas nas próximas Paraolimpíadas chegando a 104 e garantindo a classificação do basquete em cadeira de rodas (feminino), goalball (masculino e feminino), tênis de mesa (10 vagas individuais) e vôlei sentado. O futebol de 5 já chegou ao México classificado.

Boa parte desse crescimento se deve ao aumento das pesquisas em biomecânica voltadas para os esportes adaptados. As pesquisas envolvem desde o desenvolvimento de equipamentos mais adequados às necessidades da modalidade, como cadeiras de rodas e próteses, até a identificação das variáveis relacionadas ao desempenho esportivo e avaliação direta do desempenho do atleta. O BIMOR vem oferecendo sua contribuição realizando pesquisas com atletas de rúgbi e basquete em cadeira de rodas.

O periódico Sports Biomechanics publicou em setembro um artigo falando sobre a biomecânica dos esportes paraolímpicos, cujo título deu nome também a este post. Este artigo é leitura obrigatória para os que trabalham ou pesquisam na área do esporte adaptado. Veja abaixo informações sobre o artigo e a tradução do resumo:

Keogh, J. W. L. Paralympic sport: an emerging area for research and consultancy in sports biomechanics. Sports Biomechanics,Volume 10, Issue 3, 2011

DOI: 10.1080/14763141.2011.592341
Os Jogos Paraolímpicos são o auge do desporto para muitos atletas com deficiência. O objetivo geral deste trabalho é destacar o papel que o campo de biomecânica dos esportes  (e ciências do esporte em geral) pode desempenhar na melhoria do desempenho em vários esportes Paraolímpicos de verão através de pesquisa e consultoria. Para atingir este objetivo geral, essa análise fornece um pouco de história e uma visão geral dos  Jogos Paraolímpicos de Verão, discute as regras de elegibilidade e classificação, descreve o potencial da abordagem liderada por restrições  da teoria dos sistemas dinâmicos para informar a prática e a pesquisa nesta área, e estudos selecionados que examinam a biomecânica das principais formas de locomoção em esportes Paraolímpicos. São fornecidas algumas recomendações sobre como a biomecânica do esporte pode ajudar a facilitar as melhorias no desempenho atlético Paraolímpicos através de pesquisa aplicada e consultoria, juntamente com comentários sobre algumas questões importantes em relação ao esporte paraolímpico.
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Usuário ou pesquisador em biomecânica? Qual a diferença?

A biomecânica é a ciência que, dentre as diversas áreas de atuação, se ocupa do movimento, fundamento básico para a locomoção e realização de qualquer exercício ou atividade física. Daí o interesse crescente nessa área por parte dos profissionais ligados ao esporte, exercício e reabilitação.

Contudo, existe uma confusão entre ser usuário de biomecânica e ser pesquisador em biomecânica. Um não é melhor nem pior que o outro, apenas envolvem caminhos e conhecimentos diferentes.

O usuário utiliza equipamentos ou métodos da biomecânica para avaliar o movimento de seus atletas ou pacientes. Ele precisa entender o fenômeno a ser avaliado e saber manusear o equipamento utilizado para obtenção das variáveis biomecânicas. Além disso, deve saber interpretar as variáveis obtidas. Por exemplo, um técnico de natação pode utilizar a cinemetria para calcular o ângulo de saída do seu atleta ou o comprimento da braçada, um fisioterapeuta pode usar o mesmo método para avaliar a marcha de um paciente hemiparético. Para essa análise eles precisam saber manusear os equipamentos para obtenção das imagens e o software para obtenção das variáveis.

Já o pesquisador em biomecânica desenvolve experimentos para solucionar problemas relacionados à análise do movimento, desenvolve novos equipamentos, métodos e técnicas de análise. Ele deve não só saber interpretar variáveis, mas também deve saber como calculá-las. O pesquisador deve, portanto, percorrer o caminho da investigação, da argumentação, da dúvida, do questionamento e, conseqüentemente, chegar no lugar onde ele encontrará respostas. Respostas cientificamente relevantes.

Muitas pessoas têm procurado os cursos de mestrado e doutorado em biomecânica esperando ser “biomecânicos”, com o intuito de posteriormente aplicar a biomecânica no seu trabalho como técnico ou clínico. Esse não é o caminho mais adequado. Não que na pós-graduação stricto sensu não se aprenda a aplicar a biomecânica em contexto técnico ou clínico, mas esse não é o foco principal desse tipo de pós-graduação. Fazer mestrado ou doutorado envolve entrar no mundo acadêmico, fazer pesquisa, produzir novos conhecimentos, e não apenas aprender a manusear um equipamento ou uma técnica ou atender uma necessidade do seu atleta ou do seu paciente.

A formação do pesquisador em biomecânica exige muito estudo e dedicação, além de contato diário com o laboratório. A pessoa que opta por fazer mestrado ou doutorado de fato opta por se dedicar à vida de pesquisador, mesmo que apenas pelo período do curso, e deve ter em mente que nem tudo será fácil. A rotina de pesquisa é árdua e exige muita dedicação, disciplina e leitura e nem sempre se estuda apenas o que se gosta. Além disso, fazer pesquisa em biomecânica no Brasil significa ter que lutar contra a possível falta de recursos, uma realidade que tem que ser combatida com muita criatividade e trabalho árduo.

Portanto, ao se tornar aluno de mestrado ou de doutorado a pessoa deve assumir a postura de pesquisador. Essa postura somente se obtém se houver disponibilidade e dedicação de tempo para que se exerça com autonomia o ato de aprender e se o objetivo for responder uma questão que tem relevância também para o meio científico, e não apenas para si próprio.  Outro ponto importante a ser destacado é que se deve aprender não só aquilo que gosta, mas aprender o que é necessário. Não se pode esquecer que a biomecânica trata do estudo detalhado do movimento e de sua técnica a partir das leis, princípios e métodos da mecânica, portanto estudar matemática, física e computação é imprescindível. Além disso, seu objeto de pesquisa deve estar de acordo com os interesses do laboratório/professor ao qual você vai se ligar, e não apenas com os seus.

Se você está pensando em fazer mestrado em biomecânica para aprender a manusear uma técnica e atender uma necessidade especificamente sua, da sua clínica ou do seu clube/academia, ou para incrementar o currículo ou melhorar o salário você está no caminho errado. Você não quer ser pesquisador em biomecânica, quer ser usuário. Procure então uma pós-graduação lato sensu, um curso de extensão ou um curso de curta duração em biomecânica, análise cinemática, eletromiografia, biofotogrametria, análise postural computadorizada, análise de marcha, etc…

Mas se além de atender seus interesses pessoais você quer contribuir com o desenvolvimento científico-tecnológico, além de contribuir com um grupo de pesquisa ou com um laboratório, o caminho natural é a pós-graduação stricto sensu. É o começo de uma trajetória árdua, mas a empreitada vale a pena. A contribuição à ciência e as conseqüências práticas advindas da pesquisa são a recompensa.

Dica sobre material de estatística

A New View of Statistics

Site do professor Will G. Hopkins com informações e artigos sobre análises estatísticas, escrito especialmente para pesquisadores e estudantes na área de ciências do esporte e exercício.

http://sportsci.org/resource/stats/

Dica da Profª. Ms. Juliana Exel Santana!

ISBS 2011 – Conferências disponíveis na internet

A organização do ISBS 2011 disponibilizou acesso aos vídeos das conferências apresentadas no evento que aconteceu em junho na Universidade do Porto/Portugal:

Para quem não foi não perca a oportunidade de assistir e acompanhar o que foi discutido no evento!