Anais do ISBS 2010

Os anais do congresso da Sociedade Internacional de Biomecânica do Esporte podem ser acessados em:

http://w4.ub.uni-konstanz.de/cpa

Para quem não pode ir, vale a pena conferir o que foi discutido.

As fotos do evento também podem ser vistas:

http://picasaweb.google.com/marquette.2010.isbs

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Dicas para preparar um artigo para o periódico Sports Biomechanics

Uma das conferências apresentadas no ISBS 2010 abordou os pontos principais que devem ser levados em consideração por aqueles que pretendem publicar um artigo no Sports Biomechanics, periódico oficial da Sociedade Internacional de Biomecânica do Esporte (ISBS). Durante os últimos anos o número de artigos submetidos ao periódico em questão aumentou significativamente, mas devido a baixa qualidade o índice de artigos aceitos não passa de 30%. Visando melhorar esse índice o Prof. Dr. Young-Hoo Kwon apresentou algumas dicas para a produção de um bom artigo:

1. O artigo deve ser muito bem organizado:

  • Objetivo:  se refere às questões que se pretende responder
  • Introdução: deve apresentar e sustentar as justificativas para o desenvolvimento do trabalho
  • Metodologia: deve contemplar as ferramentas/desenho experimental utilizado
  • Resultados: devem apresentar os resultados, as respostas às questões que foram levantadas no objetivo
  • Discussão: deve discutir e interpretar os resultados
  • Conclusão: deve levar em consideração tudo o que foi contemplado nas demais sessões

2. As informações devem ser concisas mas suficientemente detalhadas

  • Evitar informações que não são essenciais
  • Detalhar suficientemente as questões mais importantes ou únicas ao trabalho

3. Escrita sucinta

  • Uso estratégico de figuras, gráficos, tabelas e equações

4. Maximize a legibilidade do manuscrito

  • Evitar símbolos e abreviações
  • Cuidado com o tamanho dos parágrafos

5. Leitura amigável

  • Escrita orientada pela leitura (ou seja, leiao que escreveu e veja se faz sentido)

6. Ausência de erros gramaticais/ortográficos

  • Verificador ortográfico
  • Revisar a gramática

7. Título informativo e específico

  • Nem muito longo, nem muito resumido
  • Reflete o objetivo, desenho experimental ou achados do trabalho

8. Aspectos-chave apenas no resumo

  • Objetivo/finalidade
  • Principais métodos
  • Principais resultados (valores e resultados estatísticos)
  • Conclusão
  • Sem detalhes desnecessários
  • Sem exposição dos motivos/justificativas

INTRODUÇÃO

Deve seguir a seguinte ordem:

  • Panorama geral da literatura sobre o assunto
  • Panorama teórico
  • Justificativa
  • Objetivos/questões (hipóteses) do trabalho

Deve conter em média 2 páginas

METODOLOGIA

Deve descrever:

  • Coleta dos dados
  • Processamento dos dados
  • Sujeitos participantes do trabalho ou modelos e computações realizadas (no caso de simulações)
  • Variáveis (dependentes e independentes)
  • Análise estatística

Não perder o foco principal do trabalho.

ESTATÍSTICA

Problemas comuns:

  • Amostra pequena
  • Análises múltiplas
  • Usar correlação para validar dados (a correlação pode ser forte mas o valor absoluto dos dados correlacionados ser muito diferente)
  • Usar correlação ou regressão em grupos heterogêneos
  • Usar o número de repetições (trials), sujeitos ou eventos como fatores na Análise de regressão (ANOVA)

RESULTADOS

  • Conciso: responder as questões levantadas no objetivo
  • Apenas resultados: não mencionar assuntos relativos à metodologia ou à discussão
  • Uso estratégico de figuras e tabelas
  • Dados numéricos em tabelas e figuras
  • Efeitos principais no texto
  • Sem redundância entre texto, tabelas e figuras
  • No texto, referenciar a tabela ou figura entre parênteses
  • Unidades numéricas de acordo com o Sistema Internacional (SI)
  • Dados numéricos com número razoável de casas decimais
  • Não escrever “p<0.05” repetidamente
  • Não escrever “quase significativo”
  • Ficar atento ao significado do resultado, que pode sofrer efeitos de acordo com o número da amostra e com o teste estatístico utilizado

TABELAS

  • Título conciso e informativo acima da tabela
  • Apresentar a significância estatística (valor de p)
  • Usar abreviações e símbolos estrategicamente
  • Explicações e legendas das abreviações como nota de rodapé abaixo da tabela

FIGURAS

  • Qualidade da figura: formato, tamanho/proporção, tamanho da fonte, estética, etc.
  • Título informativo abaixo da figura contendo as legendas (símbolos, abreviações, etc.)

DISCUSSÃO

  • Centrar a discussão no objetivo/questões da pesquisa
  • Interpretação profunda dos resultados
  • Comparação crítica com resultados já reportados na literatura
  • Sem especulações não fundamentadas cientificamente
  • Apontar as limitações e validade do estudo
  • Apontar as implicações práticas dos resultados

CONCLUSÃO

  • Resumo breve e conclusões apenas do estudo em questão (sem especulações não fundamentadas pelo estudo)
  • Sugestões para estudos futuros

CITAÇÕES E REFERÊNCIAS

  • Apenas as referências-chave
  • Não citar senso cumum
  • Não usar referências não relacionadas com o trabalho
  • Não usar referências incompletas
  • Todas as referências citadas devem estar listadas no final, e vice versa (só cite o que está na referência, só coloque na refer~encia o que foi citado)
  • Usar softwares para formatar as referências e citações automaticamente (Ex. Endnote)
  • Formatar as citações e referências de acordo com o modelo estipulado pelo periódico

APÓS TERMINAR DE ESCREVER O ARTIGO…

  • Revisar ortografia e gramática
  • Caso esteja escrevendo em uma língua que não é a sua língua nativa, procure ajuda profissional para revisar o texto
  • Para verificar se a escrita está inteligível, circule o texto entre seus colegas de laboratório
  • Em seguida, circule o texto entre pessoas que não são especificamente da área de biomecânica (treinadores, atletas, praticantes, etc.)

SUBMETENDO O ARTIGO

  • Acessar o site para submissão online da Sports Biomechanics
  • Leia as instruções com atenção (não há desculpa para não seguí-las)!
  • Quando indicar o nome de algum revisor, indicar nomes importantes no assunto, e não alguém que você conhece

RESPONDENDO AOS COMENTÁRIOS DOS REVISORES

  • Tire vantagem dos comentários
  • Nada de reações emotivas
  • Os comentários dos revisores servem para fortalecer seu artigo
  • Responda ponto a ponto, incluindo o comentário e sua resposta
  • Referencie a resposta no artigo revisado
  • Dê respostas elaboradas: descreva detalhes das mudanças e inclua o texto alterado na resposta

Ações frente a um comentário:

  • Aceitar a sugestão
  • Esclarecer o que foi questionado/comentado
  • Rejeitar a sugestão

Em caso de rejeição da sugestão/comentário

  • Nunca tente ensinar o revisor
  • Entenda claramente as razões do revisor
  • Suporte suas idéias com literatura, dados, etc.
  • Faça alterações de forma proativa
  • Se necessário, consulte o editor

I Congresso Paraolímpico Brasileiro

O evento será promovido pelo Comitê Paraolímpico Brasileiro, por meio de sua Academia Paraolímpica Brasileira, e em parceria com as seguintes Universidades: Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP e Universidade Federal de Uberlândia – UFU.
Será um evento de natureza científica e prática, comprometido com a excelência da pesquisa e do trabalho prático nos esportes paraolímpicos, e cuja finalidade é criar um espaço para reflexão e troca de experiências entre pesquisadores e profissionais sobre o fenômeno esporte paraolímpico nas suas diferentes dimensões e aplicações no campo do treinamento, classificação funcional e da prática de atividades físicas para pessoas com deficiência.
Entre os palestrantes internacionais convidados, destacamos: Prof. Colin Higgs, Ph.D. School of Human Kinetics and Recreation Memorial University of Newfoundland, Canada; Marco Cardinale, Ph.D. Semmelweis Egyetem, Itália; Dr. Peter Van de Vliet, IPC Medical & Scientific Director; Michael Cary, Programme Manager for the World Academy of Sport Executive Centre.

O evento contará com palestras, mesas-redonda, apresentação de pôster, mini-cursos e cursos pré-congresso. Para maiores informações:

Faculdade de Educação Física/UNICAMP

Laboratório de Atividade Motora Adaptada– LAMA
Av.: Érico Veríssimo, 701 – Cid. Universitária- Br. Geraldo – Campinas/SP – Brasil
CEP 13083-851 – Caixa Postal 6134
Fones: (19) 3521-6755          (19) 3521-6755
Email: secretaria_congresso@yahoo.com.br

Problema biomecânico do arremesso de peso finalmente resolvido

Tradução do resumo original em inglês disponível no site Technology Review, que trata do artigo The optimal angle of release in shot put.

Elisângela Adriano, atleta brasileira

Por mais de 30 anos, cientistas do esporte vem tentando entender por que o ângulo ótimo de arremesso do peso não é 45º.

O arremesso de peso é um estranho esporte olímpico no qual o atleta arremessa uma esfera de metal o mais longe possível, usando uma movimentação esquisita especificada pelas regras do esporte.

Agora aqui está um curioso enigma da biomecânica: em qual ângulo o peso deveria ser arremessado (ângulo de saída) para maximizar a distância alcançada?

É fácil pensar que este ângulo deveria ser 45º e uma análise direta pode de fato sugerir isso. Mas medições da ação dos melhores atletas mostram que eles usam um ângulo de saída entre 37º e 38º. Por que a trajetória mais rasa?

Na década de 1970, biomecânicos perceberam que a altura de saída precisa ser levada em consideração porque ela garante que a trajetória não é simétrica. Quando isso é levado em conta, o ângulo ótimo de saída torna-se 42º, próximo do valor medido mas ainda 4 ou 5º diferente.  Desde então ninguém tinha sido capaz de imaginar onde está a diferença.

Agora Alexander Lenz, da Technical University of Dortmund, e Florian Rappl, da University of Regensburg, na Alemanha, dizem que sabem o que acontece.  Eles apontam que existem vários outros fatores que devem ser levados em conta.

Primeiro, a altura de saída é a altura do ombro do atleta mais um termo adicional que depende do comprimento do braço e sua angulação. Quando isso é levado em conta, o ângulo ótimo de saída torna-se até 1º maior, complicando ainda mais o problema biomecânico.

Em seguida, Lenz and Rappl olham para a energia que os atletas podem transmitir para o peso quando o empurram com uma certa angulação de ombro. Isto pode ser separado em componente cinético e componente potencial. O componente potencial está relacionado com a altura do peso acima do ombro quando ele é arremessado.

A dupla alemã aponta que a equação que determina a distância final depende da altura mas também do quadrado da velocidade. Portanto é mais fácil o atleta aumentar a energia cinética que a potencial. E isto faz com que o ângulo ótimo de saída diminua.

Provavelmente esta é a razão pela qual a técnica do arremesso de peso evoluiu ao longo do tempo, com atletas mais baixos preferindo a técnica com giro, a qual aumenta o tempo sob tensão, adiciona força centrífuga, e fornece um maior período de tempo para acelerar. Dessa forma eles estão compensando a falta de altura de saída aumentando a velocidade do peso.

Colocando tudo junto, Lenz and Rappl criaram um modelo para o arremesso de peso que prediz que o ângulo ótimo de arremesso está entre 37 e 38º, o que casa quase perfeitamente com as medições feitas nos melhores atletas.

Problema resolvido!

Veja abaixo uma imagem do programa para análise do arremesso de peso desenvolvido por Florian Rappl (o link para baixar o programa pode ser encontrado no site).

Este vídeo mostra a relação entre o ângulo de saída e a velocidade de saída:

Acha que é difícil entrar no mestrado ou doutorado em biomecânica no Brasil? Você ainda não viu nada…

Biomecânica é uma área multidisciplinar. Por mais que as aplicações sejam no campo dos esportes, exercício ou reabilitação, dentre muitos outros, sem as ferramentas da matemática, da física e da computação a biomecânica não existe. E para quem acha complicado entrar nos programas de pós-graduação na área de biomecânica no Brasil, segue abaixo os PRÉ-REQUISITOS para entrar no programa de mestrado e doutorado em biomecânica na Texas Woman’s University (USA):

MESTRADO

Antes de iniciar o programa de mestrado em biomecânica o aluno deve ter conhecimento em:

  • Cinesiologia:
    • Cinesiologia/Biomecânica
    • Fisiologia do Exercício
  • Matemática:
    • Álgebra, Trigonometria, Geometria e Cálculo
    • Os estudantes devem saber derivação e integração, cálculo multivariado e álgebra (vetorial e matricial).
  • Física:
    • Os estudantes devem ter conhecimento básico de mecânica clássica (Newtoniana).

DOUTORADO

Para iniciar o programa de doutorado em biomecânica o aluno deve dominar as seguintes áreas:

  • Cinesiologia:
    • Anatomia funcional
    • Cinesiologia/Biomecânica
    • Fisiologia do exercício
  • Matemática:
    • Álgebra, Trigonometria, Geometria e Cálculo
    • Os estudantes devem saber derivação e integração, cálculo multivariado e álgebra (vetorial e matricial).
  • Física:
    • Os estudantes devem ter conhecimento básico de mecânica clássica (Newtoniana).
  • Linguagem de programação:
    • Visual Basic, C, C++, Visual C++, Java, or MATLAB
    • Os estudantes devem dominar com fluência pelo menos uma das linguagens de programação acima.

Os estudantes serão orientados a frequentar cursos adicionais sobre matemática e mecânica como parte do programa de doutorado:

  • Álgebra Linear
  • Matriz
  • Equações diferenciais
  • Análise numérica
  • Mecânica clássica (Estática/Dinâmica)

Ah… este é o programa para alunos graduados em fisioterapia, educação física, esporte e áreas afins! Imagine como é o programa para bioengenheiros… Pensem bem antes de reclamar!!!

Grupo de Biomecânica do Calçado da Sociedade Internacional de Biomecânica

O Grupo de Biomecânica do Calçado da Sociedade Internacional de Biomecânica (ISB) reúne pessoas que pesquisam sobre os efeitos do calçado na função do membro inferior. Tem como interesse os seguintes tópicos:

1)      design de calçados
2)      lesões e suas relações com o calçado
3)      calçado esportivo e performance
4)      calçado como instrumento de reabilitação
5)      calçado e órteses e muitos outros.

O grupo organiza simpósios sobre biomecânica do calçado e tem como periódico o ficial o Footwear Science. Para saber mais sobre o grupo, suas discussões e encontros ou sobre o periódico  acesse:

http://footwearbiomechanics.org/?q=node

Material sobre natação

No mês passado aconteceu o XI Simpósio Internacional de Biomecânica e Medicina na Natação (Biomechanics and Medicine in Swimming – BMS), em Oslo (Noruega). Um relato sobre os trabalhos apresentados no evento está disponível em Sportscience 14, 29-35, 2010 (sportsci.org/2010/wghBMS.htm)